OpenAI está estreando um modelo de anúncios em ChatGPT que rompe com vários padrões do mercado de mídia digital – começando por um preço “de TV de Super Bowl”, mas com métricas de “era pré-digital”.
O que está acontecendo
- Anúncios começam a ser testados no ChatGPT para usuários adultos da versão gratuita e do novo plano ChatGPT Go (US$ 8/mês) nos EUA.
- Usuários dos planos Plus, Pro, Business e Enterprise permanecem sem anúncios.
- Os anúncios aparecem no rodapé das respostas, sinalizados como patrocinados e separados do conteúdo “orgânico” do assistente.
Preços: o ponto mais polêmico
- OpenAI está pedindo cerca de US$ 60 de CPM(custo por mil impressões) para anúncios dentro do ChatGPT.
- Isso significa cobrar até três vezes mais do que as taxas médias da Meta, que giram abaixo de US$ 20 de CPM.
- Esses valores colocam o inventário do ChatGPT no mesmo patamar de formatos premium, como streaming de vídeo de grandes players e até transmissões esportivas altamente disputadas.
- Para participar do piloto, a plataforma está pedindo compromissos de investimento abaixo de US$ 1 milhão por anunciante – ou seja, foco em grandes marcas neste primeiro momento.
Tabela: Comparando CPM aproximado
| Canal / Plataforma | CPM aproximado (US$) | Observação principal |
|---|---|---|
| ChatGPT (OpenAI) | ~60 | Beta, inventário conversacional, métricas limitadas. |
| Meta (Facebook/Instagram) | < 20 | Escala massiva, métricas avançadas, foco em performance. |
| Streaming premium (refer.) | ~60 | Lançamentos de grandes players, inventário premium em vídeo. |
Métricas: volta ao “alto nível”
- No início, os anunciantes recebem apenas dados de impressões (views) e cliques totais.
- Não há informação sobre conversões, jornada pós-clique, contexto detalhado da query ou dados comportamentais no nível que Google e Meta oferecem hoje.
- OpenAI compara esse nível de transparência ao que redes de TV entregam: alcance e exposição, sem o tracking profundo típico da publicidade digital.
- A empresa também reafirma que não venderá dados de usuários para anunciantes e manterá as conversas privadas, o que limita a granularidade de mensuração.
Pressões competitivas e estratégicas
- OpenAI alega ter escala para sustentar um modelo de ads: algo em torno de centenas de milhões de usuários semanais no ChatGPT.
- Em Davos, a CFO Sarah Friar reforçou que um modelo baseado em publicidade exige escala massiva – e que a empresa já chegou lá.
- Em contraste, o Google DeepMind afirmou não ter planos de colocar anúncios no Gemini agora, levantando a questão de como conciliar “assistentes pessoais” com modelos de ads sem quebrar a confiança do usuário.
O que isso significa para gestores de marketing
Para gestores, essa movimentação é menos sobre “mais um canal de mídia” e mais sobre testar um novo tipo de inventário: anúncios inseridos no fluxo de conversas com um assistente de IA, em contextos de intenção de informação e, em parte, de intenção comercial.
- É um teste de disposição a pagar: pagar preço de mídia premium por dados de mensuração básicos.
- É um laboratório estratégico: early adopters podem aprender antes da concorrência como capturar demanda em interfaces conversacionais.
- É uma volta à lógica de “branding + alcance qualificado”, menos guiada por ROAS imediato e mais por presença em um novo comportamento de consumo de informação.
Se você lidera marketing ou crescimento, vale acompanhar de perto: o preço pode cair, as métricas certamente vão evoluir, mas as marcas que entenderem cedo o papel da IA conversacional no mix poderão reescrever seus playbooks de mídia antes do resto do mercado.
