É isso. A alma de todo bom pitch, slogan, título e homepage está aqui.
Mesmo assim, tem muita marca B2B que escreve como se estivesse tentando passar em concurso da Receita Federal. Dizem que querem “simplificar a mensagem”, mas soltam um “Liberte o poder da inteligência integrada por meio da inovação transformadora”.
Pra quem, exatamente?
Porque o cliente que lê isso está fechando a aba e pensando: “não tenho tempo pra decifrar isso”. E esse cliente não é qualquer um. É o diretor com verba no bolso. A fundadora que decide o rumo da empresa. A CMO com KPI batendo na porta. Gente ocupada. Gente inteligente.
Justamente por isso você precisa ser simples.
Sofisticação não vive na complexidade, mas na clareza.
Quer um exemplo? A Stripe vende infraestrutura técnica para desenvolvedores. Eles podiam falar em “módulos transacionais programáveis para ecossistemas digitais”. Mas preferiram: “Infraestrutura de pagamentos para a internet”. Fim.
A Salesforce podia enfiar um MBA inteiro num parágrafo. Em vez disso, manda: “Venda mais rápido. Atenda melhor. Faça marketing com inteligência.” Verbos curtos. Promessas grandes.
A Apple não dá palestra de especificação técnica. Ela diz “Pense diferente”. E gruda na cabeça feito chiclete.
Essas marcas não estão simplificando. removendo os ruídos. Sabem que clareza gera confiança. E confiança é o que move o cliente pro próximo passo.
Então, por que tantas marcas ainda escrevem como se estivessem apresentando uma tese na FGV?
Porque querem impressionar. Passar seriedade. Credibilidade. Mas aqui está o paradoxo: quem mais entende do assunto é quem mais detesta jargão.
O Harvard Business Review escreve num nível de ensino médio americano. O The Economist, também. O TechCrunch, nem se fala. Não são blogs da moda. São publicações com prestígio global. E usam frases curtas, verbos ativos e palavras que a sua avó entende.
Por quê? Porque sabem que inteligência não se mede pelo tamanho da palavra, mas pela clareza da ideia.
Na Wyse, a gente vive ressaltando a importância dos testes de legibilidade nos textos. Não porque o número final seja tudo. Mas porque ele é um espelho. Se sua homepage pontua 17 na escala de Flesch-Kincaid, parabéns: você está falando sozinho.
Quer resolver? Escreve como se estivesse explicando pra uma amiga no bar. Troque o “otimizar soluções omnichannel” por “mostrar onde seu dinheiro está indo embora”. Isso é conversa de verdade.
Quer ir além? Testa o texto com alguém fora do seu setor. Se entenderem, você mandou bem. Se fizerem aquela cara de “ah tá, entendi” só pra ser educado, volta pro bloco de notas.
Clareza não é menos profissional. É mais persuasivo.
E falar claro não é ser sem graça. É tirar tudo o que atrapalha sua mensagem de chegar. Em um mar de complexidades, ser claro não é só gentil. É estratégico.
Então, da próxima vez que pensar em “sinergizar paradigmas transversais”…
…respira. E fala o que você faz. Do jeito que você falaria pra sua mãe.
Porque, no fim, o claro vence o esperto. Sempre.
